LabIUtil    useit.com    usernomics    usableweb
Laboratório de Utilizabilidade Home Page
LabIUtil - Laboratório de Utilizabilidade  
Home Publicações Projetos de Pesquisa Ferramentas para Usabilidade Serviços e Cursos Eventos Sobre o LabIUtil
Home >Publicações >Anais do Workshop 96 > Artigos > Leonor
  

 


Índice

1. Introdução

2. A delimitação a nível de recepção

3. Os modelos interativos de processamento

4. Considerações finais

5. Referências bibliográficas

"PROBLEMAS DE PROCESSAMENTO LEXICAL COM EXEMPLOS DO PORTUGUÊS"

Prof. Dr. Leonor Scliar-Cabral
Universidade Federal de Santa Catarina/CNPq

1.Introdução

Explicar como se opera o processamento lexical, tanto a nível de recepção quanto de produção, coloca ao pesquisador problemas que ainda distam de uma solução satisfatória. Neste artigo, abordarei alguns deles, com exemplos do português praticado no Brasil.

O processamento lexical esbarra com uma dificuldade inicial, qual seja a de definir a própria unidade de que se ocupa, a palavra. A dificuldade para defini-la ficou patente no desconcerto de Vendryés, ao encerrar o VI Congresso Internacional de Linguístas em Paris. As definições de Togeby (1965) e de Trnka (1965) aprofundaram o debate, mas é Mattoso Câmara Jr.(1964: ps.85 e segs.) quem mais se aproxima de uma fundamentação teórica para as propostas da psicolinguística, quando assevera que o vocábulo fonético e o vocábulo significativo devem ser estudados separadamente.

Ao fazê-lo, Mattoso Câmara Jr. já assinalava que, no português, o vocábulo fonético subordina os clíticos às sílabas mais fortes dos itens que os sucedem (com exceção dos pronomes pessoais oblíquos que também podem assumir a posição enclítica), bem como amalgama vocábulos mórficos em determinadas condições, quando ocorre o sândi. Com isto, prenunciava um dos dilemas qu se colocam para explicar como se dá o reconhecimento dos itens lexicais no continuum da cadeia da fala.

Prenunciou, também, o linguísta brasileiro, as tendências predominantes em psicolinguística quanto à estruturação das unidades de processamento, que se organizam num léxico mental (o subsistema dos significantes) e na memória semântica (o susbsistema dos signficados básicos e virtuais).

Desta introdução já se infere a cautela em denominar as unidades de que se ocupa a psicoliguística no tocante ao processamento: prefere-se o termo item lexical à palavra, uma vez que, conforme asseveramos acima, restam muitas questões pendentes, tanto no que concerne ao desmembramento das unidades como quanto à sua representação no dicionário mental.

Iniciarei a discussão, separando o processamento a nível de recepção do da produção. Conforme se verificará, no primeiro caso, o receptor se defrontará com a questão crucial de desmembrar no continuum da fala os itens lexicais para reonhecê-los e, posteriormente, completar o acesso lexical. No segundo, o produtor deverá buscar na sua memória semântica e no léxico mental os itens que revistam suas idéias, encaixando-os nos marcadores sintáticos simultaneamente acionados.


Adaptação livre do site: www.nngroup.com
realizada por Renate de Oliveira