LabIUtil    useit.com    usernomics    usableweb
Laboratório de Utilizabilidade Home Page
LabIUtil - Laboratório de Utilizabilidade  
Home Publicações Projetos de Pesquisa Ferramentas para Usabilidade Serviços e Cursos Eventos Sobre o LabIUtil
Home >Publicações >Anais do Workshop 96 > Artigos > Neri
  

 


Índice

1. Introdução

2. Revendo as velhas
metáforas

2.1 Organizações como
máquinas

2.2 Organizações como
organismos, cérebros e culturas

2.3 Organizações como
sistemas autopoiéticos e hologramas

3. Qualidade total e
outros modismos

3.1.Característicos de Direção

3.2.Característicos de Ação

3.3.Característicos de Sentido

4. Novas filosofias e
velhas metáforas

4.1. Jacques Lacan

4.2. David Bohm

4.3 Guatarri

5. Novas idéias

6. Bibliografia

"ORGANIZAÇÕES, VELHAS METÁFORAS E NOVAS IDÉIAS"

2.3 Organizações como sistemas autopoiéticos e hologramas

Na visão de Woodsmall (1994), cada nível de uma Cultura de Valores possui três fases de transição: Fase Nascente (demonstração das particularidades do nível), Fase da Maturidade Plena (zona ótima de conforto) e Fase do Abandono (ponto de transição entre dois níveis). Em outras palavras, as organizações sofrem, também, um fluxo de transformações durante suas ontogêneses específicas.

Organizações podem ser modeladas como entidades autopoiéticas de ordem superior constituídas por outras de ordem inferior, como objetos inanimados, máquinas auto e alopoiéticas e seres humanos. Santos e Fialho (1993), propõem que organizações, vistas como um conjunto de indivíduos, equipamentos e instalações, podem ser entendidas e tratadas como entidades psicológicas onde a produtividade do 'ser organização' e a qualidade de vida dos seres mais simples, nós humanos, que participam da sua constituição, devem se submeter, ainda, a um terceiro fator, o nível de harmonia com o meio ambiente do qual, nessa visão autopoiética, são indissociáveis. O construtivismo rende justiça, nesse caso, à dimensão reflexiva das ciências cognitivas, conduzindo a uma ecoergonomia.

Estamos dentro de uma ecologia social em que cada organização interage com seu meio ambiente e seus estados internos no sentido de preservar sua autopoiesis. Trata-se, então, de organizações capazes de aprender e, portanto, se adaptar às mudanças que ocorrem em seu meio ambiente.

Adler e Cole (1993) afirmam, baseados na análise de uma "joint-venture" Toyota-General Motors, instalada na Califórnia, a New United Motor Manufacturing, Inc. (NUMMI) e duas unidades inovadoras da Volvo instaladas em Uddevalla e em Kalmar, que "Um consenso vem emergindo de que a marca registrada das organizações do futuro será a sua capacidade de auto aprendizagem". Citam o modelo NUMMI como exemplo de organização de aprendizagem, atribuindo ao outro modelo uma maior capacidade para aprendizagem individual.

Berggren considera uma armadilha metodológica se comparar duas unidades industriais com base, apenas, em padrões de produção. Tal comparação, de acordo com seu ponto de vista, deveria considerar, ainda, os padrões de evolução desta produção (Berggren, 1994). Segundo esse autor Udevalla e não NUMMI deveria servir de base para a concepção das organizações do futuro.

O fechamento da planta de Uddevalla não significa, em nosso ponto de vista, uma vitória de um conceito sobre o outro, mas a oportunidade para se refletir sobre a necessidade de se mudar o próprio comportamento da sociedade ocidental de forma a construir um mundo onde idéias como as que foram concretizadas em Udevalla não tenham que ceder ante o monstro darwiniano da competitividade. Uma evolução cega que, se nos serviu no passado, parece estar nos conduzindo a própria destruição enquanto espécie. (Ornstein, 1991). Quando Senge (1990) afirma ser o "raciocínio sistêmico" uma disciplina integradora que conduz à "organização de aprendizagem", está nos mostrando que o todo pode ser maior que a soma das suas partes. Três disciplinas, segundo esse autor, podem contribuir para o desenvolvimento das pessoas nas "organizações de aprendizagem":

. modelos mentais, tidos como "idéias profundas ... que influenciam nosso modo de encarar o mundo e nossas atitudes"

. domínio pessoal, que começa por "esclarecer as coisas que são importantes para nós, levando-nos a viver de acordo com o mundo e nossas mais altas inspirações".

. aprendizado em grupo, afirmando que "quando as equipes estão realmente aprendendo, além de reproduzirem resultados extraordinários em conjunto, seus integrantes também se desenvolvem com maior rapidez no sentido individual".

Quando apelamos para metáforas do tipo autopoiese e modelo holográfico, estas, na verdade, exigem de nós um exercício de imaginação. Somos convidados a entender organizações como fluxo e transformação. O segredo de entender as organizações, a partir desta perspectiva, apoia-se no entendimento da lógica da mudança que determina a vida social. Três diferentes lógicas podem ser perseguidas. Uma enfatiza as organizações como sistemas auto-producentes que criam, elas mesmas, sua própria imagem. Outra enfatiza como elas são produzidas como um resultado de fluxos circulares de feedback positivo e negativo. E a terceira sugere que elas são o produto da lógica dialética pelo qual todos os fenômenos tendem a gerar seu oposto.

Para introduzir o conceito de organizações como um processo de fluxos e transformações, Morgan (op. cit.) se utiliza de um ensinamento bem conhecido de Heraclitus quanto a impossibilidade de se mergulhar duas vezes em um mesmo rio "tudo flui e nada permanece; tudo se transforma e nada se mantém em um estado fixo.... O frio se transforma em calor e o calor em frio; a umidade seca e o que é seco se torna úmido.... É mudando que se chega ao repouso ".

Morgan cita ainda a teoria de David Bohm "convidando-nos a entender o universo como algo completo que flui". Como Heraclitus, entende que processos, fluxos e mudanças, são elementos fundamentais, argüindo que o estado do universo em qualquer ponto reflete sempre uma realidade mais básica. "Mudanças são desafios para os quais as organizações devem encontrar respostas ".

O paradigma holístico emerge, principalmente, da física de David Bohm e de suas conseqüências em outros campos da ciência. Parte de um conceito de `Ordem', que se manifesta em três níveis, o do mundo, ou explícita, o das energias em equilíbrio a partir da qual esse mundo é gerado, implícita, e o das consciências, a quem atribui o papel criador, superimplícita.


Adaptação livre do site: www.nngroup.com
realizada por Renate de Oliveira