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Índice

1. Introdução

2. Revendo as velhas
metáforas

2.1 Organizações como
máquinas

2.2 Organizações como
organismos, cérebros e culturas

2.3 Organizações como
sistemas autopoiéticos e hologramas

3. Qualidade total e
outros modismos

3.1.Característicos de Direção

3.2.Característicos de Ação

3.3.Característicos de Sentido

4. Novas filosofias e
velhas metáforas

4.1. Jacques Lacan

4.2. David Bohm

4.3 Guatarri

5. Novas idéias

6. Bibliografia

"ORGANIZAÇÕES, VELHAS METÁFORAS E NOVAS IDÉIAS"

3.1. Característicos de Direção

Os característicos de direção aqui considerados, se fundamentam, basicamente, nos conceitos de planejamento e liderança.

Planejamento

Considerando o planejamento como a identificação de um futuro desejado e dos meios eficazes para alcançá-lo, verifica-se que sua moldagem é situacional e sua operacionalização requer tanto atuação no sentido científico como artístico (Ackoff, 1976).

Figura 5 - Outras abordagens relativas aos paradigmas organizacionais

Certas atitudes, conceitos ou enfoques, segundo este autor, chamados de "filosofias" do planejamento parecem ser notadas pelos estudiosos do processo. São elas:

  • satisfação - consiste em planejar em termos de medidas de desempenho (ex.: lucro ou rentabilidade) ou em termos qualitativos (ex.: boas relações com empregados). Tal enfoque tem a conotação de se restringir tão somente à essencialidade do planejamento;

  • otimização - neste tipo de planejamento, é dado ênfase nos modelos de otimização e na simulação do desempenho dos sistemas a partir de funções objetivas (alguma relação entre variáveis controláveis e não controláveis mediante a introdução de condições restritivas)

  • adaptação - de acordo com o autor, esse tipo de planejamento é às vezes chamado de inovador, sendo pouco utilizado, uma vez que é mais um plano que uma realidade.

Nesse contexto, a adaptação é tida como um estímulo inibidor das mudanças internas ou externas que afetam a eficiência de um sistema, o que vale dizer, uma postura gerencial facilitadora de flexibilidade para a organização, atuando como componente neguentrópico imprescindível para sua auto-preservação e evolução.

Na classificação apresentada a seguir, são enfocados três modos para formulação de estratégias (Minttzberg, 1973):

  • empreendedor - lida com incertezas, parte de inovadores.

  • adaptativo - visa remediar situações, avança a pequenos passos, evitando incertezas.

  • de planejamento - considera planejar como tomar decisão antecipada (antes de agir).

Com base nesse autor, podemos conceber o tipo de planejamento como voltado para a essencialidade, o tipo adaptativo para a estabilidade e o tipo empreendedor para a evolução.

Cabe ressaltar que os modelos disponíveis consideram desde a organização como um sistema independente cuja relação com os demais sistemas é ajustada à sua própria necessidade de sobrevivência perante o contexto global, tais como administração por objetivos, planejamento estratégico e outros, até os modelos baseados na concepção holística onde, tudo está interligado como um grande e único holograma e as partes são no máximo, subsistemas temporários surgidos de um contexto eventual.

Mintzberg (1994, p. 70), já vislumbra um conceito chave para a caracterização dos rumos de uma organização empregando a expressão "pensamento estratégico", passando o planejamento estratégico a ser considerado como decorrência do primeiro. Desta forma, o processo de formulação de uma estratégia deve ser de "capturar o que os administradores aprendem de todas as fontes", "ajudando e encorajando executivos a pensar estrategicamente" e não a descobrir uma única resposta certa.

Na prática, o autor propõe que o papel do planejador estratégico é cada vez mais o de agir como facilitador do pensamento estratégico, catalisando a formulação das estratégias e atuando em três passos: codificação, significando expressar as estratégias em termos claros; elaboração, onde se concretizam os planos de ação a serem seguidos e a conversão, onde se deve considerar todos os efeitos e mudanças que tais estratégias causarão nas atividades da organização. Isto vai de encontro a proposta de Morgan (op. cit.) quando defende o aprendizado do aprendizado e a auto organização dos sistemas.

O papel dos modelos gerenciais flexíveis e auto-organizáveis, cada vez mais defendidos pelos profissionais de planejamento, parece ser o de dar suporte aos administradores para atuarem como mediadores ou intérpretes da realidade organizacional e facilitadores de um processo já interiorizado por todos os participantes. E isto deve ocorrer, em tempo tão próximo do real quanto for possível.

Liderança

Segundo Bergamini (1994), liderança é "... um processo de influenciação exercido de forma intencional por parte dos líderes sobre seus liderados" e se analisarmos desde a abordagem clássica da administração, onde alguns aspectos relacionados às técnicas da qualidade estiveram presentes, verificaremos que essa influenciação também foi mudando ao longo da história das organizações.

Na administração científica, Taylor e seus seguidores defendiam que a função do líder "concentrava-se nas necessidades da organização... ...não nas da pessoa", (Hersey e Blanchard, 1986).

Com a abordagem denominada humanista, onde Elton Mayo identificou a influência das relações pessoais na produtividade, a atenção para o comportamento humano refletiu a necessidade de "mudar as regras do jogo" quando conveniente.

Atualmente, na busca pela integração entre os aspectos técnicos das organizações e o comportamento das pessoas, refaz-se a questão funcional como intérprete dessa união, refletindo enfoques estratégicos e participativos, culminando no objetivo comum sugerido por Senge (op. cit.), quando afirma: "Se existe uma idéia sobre liderança que tenha inspirado organizações por milhares de anos, é a capacidade de transmitir aos outros a imagem do futuro que pretendemos criar".


Adaptação livre do site: www.nngroup.com
realizada por Renate de Oliveira