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Índice

1. Introdução

2. Revendo as velhas
metáforas

2.1 Organizações como
máquinas

2.2 Organizações como
organismos, cérebros e culturas

2.3 Organizações como
sistemas autopoiéticos e hologramas

3. Qualidade total e
outros modismos

3.1.Característicos de Direção

3.2.Característicos de Ação

3.3.Característicos de Sentido

4. Novas filosofias e
velhas metáforas

4.1. Jacques Lacan

4.2. David Bohm

4.3 Guatarri

5. Novas idéias

6. Bibliografia

"ORGANIZAÇÕES, VELHAS METÁFORAS E NOVAS IDÉIAS"

4.2 David Bohm

O ponto de partida de David Bohm é a noção de 'totalidade ininterrupta' e seu objetivo é explorar a ordem que ele acredita ser inerente à teia cósmica de relações em um nível mais profundo, 'não manifesto'.

O mundo em que vivemos é multi dimensional. O nível mais óbvio e superficial é aquele que Bohm denomina Ordem Explícita e que compreende o espaço-tempo tridimensional, o mundo das coisas e eventos, separados e isolados, desdobrados no espaço-tempo.

A ordem explícita de Bohm corresponde ao `aparente do aparente' de Newton Bonder (1993), ao Imaginário de Lacan. É a parte visível de uma organização, resultado de seus desequilíbrios momentâneos na busca de uma homeostasia com o meio ambiente na qual está inserida.

Um nível mais profundo é o da Ordem Implícita, esfera onde se acham envolvidos os eventos e as coisas, numa totalidade absoluta (não há nem espaço e nem tempo) e que compreende nossa experiência física, psicológica e espiritual. A fonte dessas experiências reside numa dimensão ainda mais sutil, denominada de Ordem Superimplícita. Para além dessa pode-se postular muitas outras 'ordens' semelhantes mergulhando-se numa fonte ou esfera infinita, n-dimensional.

O holomovimento é a esfera do que é manifesto. Os movimentos básicos são o 'recolhimento' e o 'desdobramento'. A matéria como que formaria nuvens dentro do holomovimento, e essas nuvens manifestariam o holomovimento aos nossos sentidos e pensamentos comuns. Todas as entidades seriam formas de holomovimento, do mesmo modo que as células e os átomos.

A ordem Superimplícita seria o princípio ordenador que atuaria na ordem imediatamente inferior. A relação ordem Superimplícita. ordem Implícita seria semelhante à relação consciência, matéria.

Um computador não tem 'significação'. Um programa possui um 'conteúdo informacional' que tem 'significação ativa', posto que determina como o computador vai funcionar. Bohm emprega a expressão 'soma-significação' em vez de 'psicossomático' para o princípio que enfatiza as duas faces de um processo. O 'soma' de um papel impresso é representado pela tinta e a 'significação' pelo conteúdo informacional. O conteúdo informacional de que provem a Ordem Implícita não é determinado por uma ordem espaço-temporal tal como a conhecemos, mas contém, em si, essa ordem. A luz transformou aspectos dela mesma em partículas para que estas a revelem. A luz transcende a atual estrutura de espaço e tempo.

"No âmbito da Ordem Implícita, cada novo momento poderia, em princípio, ser totalmente desvinculado do momento anterior; seria, pois, absolutamente criador ... A eternidade pode ser afetada pelo que acontece no tempo"

Bohm sugere que as formas dos organismos se originam na Ordem Implícita. Uma forma se desenvolve mediante o processo de 'projeção' (a onda que se projeta da totalidade do oceano), 'injeção' (a onda mergulha e desaparece no oceano), 're-projeção' e 're-injeção'.

Podemos correlacionar a ordem implícita com o `oculto do oculto' de Bonder, o Real de Lacan, um mar de energias infinitas, espelho do potencial criador de uma empresa, ainda não manifesto por repressões psicológicas externas e internas. Quando esse mar se agita, originando o holomovimento, temos o simbólico e o `aparente do oculto'. Quando a onda se re(injeta) no oceano de infinita energia das potencialidades inexploradas, cessando a movimentação, gera o `oculto do aparente'.

Na indiferenciação do Real lacaniano, do `oculto do oculto' e da ordem superimplícita, não há como dissociar uma organização do meio ambiente onde exerce sua autopoiesis. Considerar o meio ambiente como parte do todo da organização é uma valiosa ferramenta para se abordar os problemas organizacionais. Os exemplos de Morgan (op. cit.) são úteis para entendermos as conseqüências dessa abordagem. "Os números e gráficos produzidos por uma empresa para demonstrar tendências de mercado, sua posição competitiva, previsão de vendas, disponibilidade de matéria prima, etc., são, na verdade, projeções dos interesses e preocupações da organização. Refletem a compreensão que a organização tem de si mesma. É através desse processo de auto referência que os membros da organização podem intervir em seu próprio funcionamento e, portanto, na criação e manutenção de sua identidade ".

 


Adaptação livre do site: www.nngroup.com
realizada por Renate de Oliveira